2008/06/18



O INSTRUMENTISTA COMPLETO

Um guitarrista está sempre aprendendo (ou pelo menos deveria!). Quanto mais você tocar, maior será seu aperfeiçoamento. Existe uma infinidade de diferentes dicas, truques, exercícios, métodos e mais métodos de estudo – mas nenhum atalho. É como eu disse antes, o seu maior ídolo com certeza não nasceu sabendo. Se você quiser se tornar um guitarrista completo (e mais uma vez, você deveria querer), em todos os sentidos, deve pensar em aperfeiçoar-se em três direções – técnica, teoria e “bom gosto”. A técnica é a parte mecânica do ato de tocar guitarra. Ela diz respeito, essencialmente, ao modo de conseguir com que os dedos façam aquilo que você deseja. Trata-se, parcialmente, de uma questão de desenvolver coordenação motora, força e independência entre os dedos das mãos e, em parte, da memorização de padrões de acordes e suas digitações. A teoria é a parte intelectual do ato de tocar o instrumento. Ela se refere a compreensão do que é a música e seu funcionamento. Todo instrumentista acumula alguma teoria com o tempo, mesmo que ele não pense nisto nesses termos. Ainda assim, existe uma certa mística envolvendo a teoria musical, de tal modo que muitos guitarristas se convenceram de que ela é muito complexa e difícil. Na verdade, a teoria musical é mais fácil do que parece. Tente estudar e entender os princípios básicos. Uma vez assimilados, eles lhe permitirão decifrar conceitos aparentemente complexos, como acordes estendidos e alterados, substituição, modulação, teoria de escalas e por ai vai. “Existem livros e métodos educativos que dizem ao estudante, direta ou indiretamente, que há literalmente centenas de músicas a serem aprendidas. O que eles não dizem é que essas centenas de músicas são construídas com os mesmos velhos acordes, seqüências, escalas e intervalos. É constantemente sugerido ao principiante que ele terá de aprender mil coisas – o que não é verdade”. Howard Roberts Em muitas áreas da teoria musical há uma intersecção entre o intelectual e o instrumentivo. Assim que seu “ouvido” musical for se desenvolvendo, você terá uma idéia instintiva daquilo que soará vem e daquilo que não dará certo. Toda a teoria musical pode ser considerada como um método para analisar aquilo que o ouvido nos diz estar correto ou não. O gosto é o aspecto mais difícil de se definir no ato de tocar qualquer instrumento. Ele diz respeito àquilo que você decide tocar. Quando se participa de um conjunto, o que soará adequado num certo contexto não pode ser alcançado por nenhuma indicação prévia. Depende-se de se desenvolver uma intuição para o que os outros músicos estão tocando. Você deve ouvir criticamente o que está tocando. “As partes que o guitarrista pode tocar são aquelas que não podem ser ditas – por isso é a guitarra que as diz... A peça que está sendo tocada determina muito mais aquilo que você toca que seu próprio estilo – como nos velhos blues, em que o slide ‘falava’... Para mim, não há muito sentido em se executar um solo só pelo som em si: ele deve se moldar naturalmente ao contexto”. Mark Knopfler Isso nos faz dar meia-volta e retroceder até a importância da prática. Lembre-se de que por mais que existam os tais milhares de métodos diferentes, ainda não inventaram um método melhor que tocar, tocar e tocar mais ainda. “Quando faço exercícios, geralmente coloco um disco bem quente na vitrola, aumento o volume e toco junto com ele. Isso me dá a sensação de estar tocando junto com a banda, mantém a adrenalina fluindo” Albert Lee

texto tirado do livro A Guitar Handbook de Dorling Kindersley, lançado pela Dorling Kindersley Limited, London.
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